Homens
chegam menos frequentemente ao atendimento astrológico do que as mulheres.
Também se submetem menos do que nós a terapias, etc. Fato normal em nossa
cultura. Mas, alguns rompem essa
barreira cultural e entram na roda da busca de respostas. Se expõem e dão a
cara pra bater. Esta crônica apresenta aspectos do atendimento de um deles. Hélàs!
Além de trazer um homem nesse trabalho de auto-observação, é um exemplo do que
ocorre no momento íntimo desse encontro entre cliente e profissional, mesmo sem
entrar em detalhes que não caberiam aqui.
TIRANDO A
TAMPA, SOLTANDO O VERBO

Entra
na sala. Constrangido? Acomoda a pasta e o guarda-chuva (que parece enorme
nesse momento) na cadeira ao lado. Senta-se na pontinha da cadeira. Só um tempo
depois se acerta com mais conforto.
Começo
a leitura de seu mapa escolhendo com cuidado as palavras, procurando uma brecha
para entrar no íntimo dessa sensibilidade.
Não
demorou muito e ele logo começa a participar. Dialoga e pergunta sobre as
questões que desfilam em meu discurso. Para minha surpresa solta a fala,
descontraidamente.
E não
pára mais. Percebo que a timidez deu lugar a uma confiança que se destrava na
língua. Aponto para a mudança percebida. Confirma a característica desse verbo
generoso.
Com
surpresa, percebo que será das consultas que ultrapassam o horário normalmente
considerado regular. Às vezes, isso ocorre por necessidade dos temas abordados
ou por temperamento do consulente, como era este caso. Dispunha-me, claro, a
dar o tempo necessário para essa fala. Que tudo corra a contento.
E foi
um rio de prosa que correu. Correu, correu. Uma enxurrada. A curiosidade aberta
se escancarava nas descobertas e nas dúvidas. Se esparramava em tudo o que não ficasse
claro. Enfim, confirmando minhas primeiras impressões, alongou-se o encontro.
Lembrei-me da sua chegada e sorri internamente. Surpresa interessante. Estava
tudo lá no seu mercúrio, aquele que nos conta da comunicação, da maneira de
funcionar o pensamento. Esta lá seu jeito tímido precisando de um impulso para
se expressar.
Só
que, o meu discurso acabara havia muito tempo e as dúvidas já se elaboravam por
tempo alongado. E as perguntas continuavam.
Eu
não conseguia encerrar a conversa, pois lá vinha um acidente de percurso, outra
dúvida. Entendi que era necessária alguma atitude da minha parte. Que fazer?
Foi difícil, mas consegui dar por finalizada a entrevista.
E
restabeleceu-se também a aparência tímida, guardada temporariamente em algum
lugar. Aconteceu o que parecia não ter retorno. Não era o que eu esperava que
acontecesse. A aparência contida de fragilidade se reconstituiu.
Mas,
apesar dessa retomada da postura inicial, não estranhei quando, à saída, de
guarda-chuva e pasta na mão, dirigiu-se a mim polidamente já saindo:
-
Posso fazer só mais uma perguntinha ?
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