segunda-feira, 5 de junho de 2017

PATERSON, OU A POESIA DO SIMPLES

Ana Maria M. González


O filme PATERSON de Jim Jarmusch dá espaço para a LITERATURA e é cheio de delicadezas. Já ouvi alguém dizer que ele fala de nada. Talvez falte a essa crítica olhos de ver e de sentir. Na verdade, trata-se de outro tipo de cinema chamado independente. Fui buscar o que significa esse conceito. Fui conhecer mais acerca do diretor Jim Jarmusch. Iremos então ao filme e, principalmente, à poesia. 


JIM JARMUSCH E O INDIE MOVIE

Sim, esse filme é diferente daqueles ligados ao circuito comercial. Normalmente são filmes de baixo orçamento para os padrões de Hollywood e baseados em boa atuação dos atores, com roteiros elaborados e temas nem sempre convencionais.

Lembra-se do filme PEQUENA MISS SUNSHINE? Pode ser considerado desse tipo. É filme inteligente e fora dos padrões de filmes mais comerciais. Em geral, tais filmes são produto artístico de alguém que se dá liberdade de expressão e como passam ao largo dos apelos do grande público não são incluídos nas redes da indústria cinematográfica. São também chamados cinema underground, alternativo ou indie movie.

Pois é dentro desse conceito de liberdade que Jim Jarmusch fez PATERSON. Esse diretor tem longo histórico no cinema, ganhou prêmios, mas não é muito conhecido do grande público. Em seus filmes há sempre algo de imponderável, um pouco fora de uma lógica racional.

PATERSON também traz esse traço. Nele assistimos a pequenas ações banais em meio à rotina do dia-a-dia. Não há grandes efeitos ou feitos de herói. Mas, nessa banalidade toda, há detalhes interessantes e sensíveis que necessitam de olhos para ver mais e melhor.

PATERSON


“Quando você é criança, aprende que o mundo tem três dimensões,
Altura, largura, profundidade,
Como uma caixa de sapatos.
Então depois você fica sabendo sobre uma quarta dimensão
O tempo.”  Paterson


O relacionamento com a companheira é feito de diferenças e muito amor. Enquanto ele leva a vida como ela vem, a esposa se movimenta, deseja, cria e inventa produções de música e comidas. Tudo em um estilo muito particular. Temos um cachorro carismático, que não gosta dele. Mas ele também acaba confessando que não gosta do cachorro. Ponto para o cachorro que consegue tirar Paterson de seu conforto.

Temos um bar, seu dono com muitas histórias para contar. Frequentadores que jogam xadrez. Um homem em crise no final de um relacionamento. Na parede, uma coleção de fotos e recortes de jornais das personagens da literatura, música e cinema dessa cidade.

Um rapper que treina sua composição musical em uma lavanderia. Uma garota de onze anos, que também tem um caderno secreto de poemas e se espanta por Paterson conhecer Emily Dickinson. Casais de gêmeos se repetem. O assunto do assédio das mulheres aos homens nos coloca um sorriso na boca por mais esse traço de humor e de ironia sutil.

Assim como a mudança dos dias também a criação de seus versos é indicada por lettering. Eles vão formando poemas, lidos pela voz de seu criador. Vamos seguindo essa composição, verso por verso. Ficamos esperando por seu aparecimento pipocando na tela.

Acompanhamos Paterson que se mistura nos movimentos da cidade. Ambos têm o mesmo nome. Essa personagem é a força da narrativa. Tudo gira a sua volta.

POESIA AQUI E ALI

PRELÚDIO AO INVERNO
A mariposa sob as goteiras

com asas como
a casca de um tronco, estende-se
e o amor é uma curiosa
coisa suavemente alada
imóvel sob as goteiras.


 Williams Carlos Williams.

Os poemas vão sendo completados pouco a pouco. De manhã, enquanto espera a ordem para sair com o ônibus ou na hora do almoço, olhando a paisagem. Seus olhos pairam e parecem focalizar a ponte e a queda d´água. Viria daí a inspiração que faz coisas comuns se transformarem em versos e poemas em caderno acomodado nos joelhos? Ou ainda, à noite no porão de sua casa.

Em um caderno secreto, ele vai escrevendo nesses momentos que me parecem ser mais do que intervalos. Na verdade, cada um desses tempos de seu dia é muito esperado para esse exercício de reflexão acerca das coisas comuns. Nelas, ele encontra algo maior que lhes dê sentido, um significado poético e criação, enlevo estético.

São tempos de abstração em que o poeta vaga longe achando em um vazio o que estava procurando. E as palavras vão se acomodando no branco da página em alinhavos de poesia.

Sim, nesse filme temos poemas escritos e muita poesia dispersa aqui e ali. Misturada à realidade urbana, como nos versos de Williams Carlos Williams (1883-1963), modelo e poeta preferido de nossa personagem.

Paterson é também o nome de um longo poema em que esse poeta teria expressado “a semelhança entre a mente do homem moderno e a cidade”. Esse poeta modelo viveu a época em que as cidades ganharam impulso. Sua poesia tinha a “capacidade de transformar todo assunto ou objeto em matéria poética”, com imagens visuais, inglês coloquial e viés modernista. Como os versos de nossa personagem.

Nada é inocente na obra de um grande diretor de cinema e as ideias vão se juntando e revelando um rico universo literário. A repetição do nome da cidade na personagem, que também é nome de poema desse poeta várias vezes citado.

Estas aproximações não são coincidências. Nelas encontramos a expressão da genialidade de Jim Jarmusch que juntou a obra do grande poeta americano, o elogio da vida de uma cidade pequena, a história de uma personagem que é feliz no seu modo de vida simples. E em meio a tudo isso, o louvor à literatura e à poesia.

Temos muita poesia inserida delicadamente na tela do cinema quando os prédios da cidade, suas ruas e pessoas nas calçadas se revelam nos vidros do ônibus – cidade, pessoas, motorista e ônibus, tudo misturado. Ou de forma mais evidente quando as águas caudalosas da imaginação invadem os versos que estão formando poemas. Movimentos enormes de água como metáfora do intenso sentimento pela mulher amada.

Jim Jarmusch utilizou todos esses recursos para expressar uma maneira de experimentar a vida e de fazer cinema. A personagem diz: Eu respiro poesia. Confissão redundante e quase desnecessária.

Eu identifiquei algumas situações em que vi poesia. Você poderá identificar outras, pois a experiência poética é particular e subjetiva. Dizem que requer paciência e treino de olhar. Será? Por exemplo, como interpretar que o japonês com quem Paterson se encontra nas últimas cenas do filme tenha lhe dado um caderno para escrever poemas? Sem saber, ele estava completando uma falta importante na vida de nossa personagem. Coincidências da vida? Magia dessas inexplicáveis que acontecem? Ou terá sido apenas mais um sinal de poesia?  
Pode ser, sim. Poesia da vida.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Astrologia nos canais de Tele 900: a era de Walter e seu mercado

Clarissa De Franco


O figurão Walter Mercado, sucesso de 1996 a 1999.
A década era 1990, período que entrou para nossa História como o início do acesso da população à Era Digital. Eu tinha apenas pouco mais de uma década de vida e me maravilhava com a sedução daquele mundo que se abria. Não só a internet ampliava seu alcance em termos midiáticos, os telefones móveis também começaram a se popularizar naquele momento (dá para imaginar nossa vida sem a internet e o celular?!). Dentro desse contexto de boom midiático, muitas empresas e canais de TV passaram a anunciar canais de atendimento telefônico, por meio dos quais eram comercializados vários tipos de serviços e informações. Eram os Tele 900. Quem não se lembra dos famosos canais de Tele Sexo? Do bordão “Ligue Jdá”? De todo este período em que fantasiávamos ter acesso a tudo em um telefonema? 

Uma prática usual das empresas que ofereciam os serviços de Tele 900 era cobrar um valor fixo por minuto dos usuários. Esses valores, variados, chegavam a ostensiva quantia de cinco reais por minuto! As opções de serviços eram muito diversificadas, desde Tele 900 da Turma da Mônica – no qual se podiam ouvir histórias que não estavam nos gibis – os canais de Tele Sexo e Tele Namoro – bastante conhecidos na época –, e os serviços de Astrologia e comércio esotérico em geral, dos quais falaremos neste breve artigo. Podemos dizer que o Tele 900 foi o pai dos aplicativos modernos, já que possibilitava ao consumidor que usufruísse dos serviços de modo particularizado, no seu tempo, à distância e de seu próprio aparelho e residência. 

Nesse frisson, uma dessas empresas a oferecer serviços Tele 900 para Astrologia foi a Vimeltary Prestação de Serviços de Telefonia e Assistência, que tinha o nome fantasia de Tele Futuro e era provedora de tecnologia para o funcionamento do "Disque Mãe Dinah”. Nesse momento, o serviço astrológico era oferecido ao lado de outros como tarô, runas, baralho cigano, uma espécie de rol esotérico à disposição dos dedos dos usuários.

Outro canal de mesma natureza que adquiriu sucesso estrondoso foi o do porto-riquenho Walter Mercado, figura cujo carisma até hoje o faz ocupar a mídia, sendo conhecido em muitos países da América por uma miscelânea de atributos, dentre eles sua aparência andrógina, e, na época dos serviços no Brasil, era lembrado pelo já citado bordão “Ligue djá”. Walter Mercado foi um fenômeno construído midiaticamente. Ele veio poucas vezes ao Brasil e emprestava seu carisma místico ao nicho que rendeu sucesso até o fim da década de 90. 

Nosso colega astrólogo Guilherme Salviano, contou em gentil depoimento, que havia, na central de atendimento em que ficavam os atendentes da empresa de Walter Mercado, um mural com as fotos do porto-riquenho ao lado de celebridades, como Bill Clinton e Madonna, para quem teria prestado serviços astrológicos. Uma clara referência à manutenção da imagem de um ícone produzido para impressionar.

Em uma reportagem do Jornal Folha de S. Paulo de 1996 (disponível emhttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/9/29/cotidiano/23.html),conta-se que em poucos meses de atendimento, a equipe do Walter Mercado já se compunha de cerca de duzentos “videntes” (assim foram chamados os profissionais atendentes pela matéria), contando com quase três mil ligações diárias feitas por usuários. Um mercado milionário. 

O colega Maurice Jacoel, que atuou nesses serviços, afirmou em entrevista para o site Constelar que os empresários desse ramo costumavam chamar os atendentes profissionais de “místicos”. Em tom crítico ao aspecto mercadológico do trabalho e às condições em que se encontravam os profissionais geralmente com vínculos trabalhistas frágeis, Maurice enfatiza que o prestígio dos atendentes era “determinado pela sua capacidade de fazer com que os atendimentos gerem (gerassem) mais e mais minutos” (http://www.constelar.com.br/revista/edicao00/mercado2.htm). Podemos pensar que os termos “vidente” e “místico” reforçavam a aura esotérica em torno dos profissionais do Tele 900 astrológico, garantindo uma distância entre atendentes e atendidos, uma espécie de “abismo iniciático”, algo bom para os negócios. 

Walter Mercado, embora tenha empreendido o maior negócio astrológico de Tele 900 em São Paulo, vinha pouco ao Brasil. Sua importância consistiu na criação de um importante mercado em Astrologia, tanto para profissionais da área quanto para o público. Sua empresa operava na região da Avenida Paulista, em São Paulo, em um prédio que também foi ocupado por outras empresas da área, como Disk Dione Forti. 

Guilherme Salviano, que atuou em vários destes serviços, afirmou que os astrólogos e astrólogas eram, na verdade, minoria entre os atendentes, sendo muitos deles profissionais de outras áreas, mesmo em serviços que levavam nomes de astrólogos. “Numa proporção de 100, no máximo 20 eram realmente consultores de mapa astral por telefone. A maioria atendia ao telefone e oferecia consultas de tarô, baralho cigano, numerologia e alguns até jogavam búzios”, disse Gui Salviano. Ele também nos contou sobre o software utilizado na central de atendimento de Walter Mercado pelos profissionais astrólogos/as: VegaPlus 5.0.

Mãe Dinah, em imagem que reforça a alcunha de “vidente”. 
Além dos já mencionados Tele Futuro, da Mãe Dinah, “Ligue djá” de Walter Mercado e Disk Dione Forti, outros grupos também atuaram nesse ramo, como o Instituto Omar Cardoso, Norma Blum e seus Magos, Mystical Line e, no Rio de Janeiro, Leiloca Conections.

Nosso colega Guilherme Salviano contou ainda que estes serviços começaram, no início da década de 90 como “ apenas Horóscopos gravados, o qual, através de um número especifico você ouvia sobre seu signo. Normalmente uma numeração com final 01 para Áries, 02 para Touro e assim por diante”. Com o passar dos anos, no entanto, estes serviços foram se expandindo e adquirindo outros formatos e as oportunidades de ganhos para profissionais de astrologia aumentaram significativamente. 

Além dos canais de 0900, que atingiam o público nacional, tínhamos os serviços de números sem o zero inicial, os canais estaduais, que começavam por 900, como o Mystical Line e Linha do Futuro. Eram comuns para estes canais, anúncios em revistas.

Os mesmos investidores que apostaram em Walter Mercado, cuidaram de divulgar o Disk Dione Forti, Tele 900 da astróloga Dione Forti, que apresentava o programa Alto Astral nas manhãs da Rádio Bandeirantes, além de falar sobre mapa astral de ouvintes e citar o Horóscopo diário. Sua empresa passou a operar no mesmo prédio em São Paulo onde funcionava o atendimento da empresa de Walter, onde também chegou a operar o serviço do astrólogo Oscar Quiroga, pouco tempo antes. Para termos ideia da abrangência física desse fenômeno, um prédio em São Paulo chegou a ocupar três andares de call center de serviços de Tele 900 em astrologia e esoterismo. 

Além da Dione Forti, outra mulher a gerenciar um Tele 900 de Astrologia foi a atriz e astróloga Norma Blum, conhecida pelos seus interesses em assuntos de meditação e misticismo. Segundo depoimento do colega Maurício Bernis, Norma Blum teria sido assessorada tecnicamente pela International Society of Astrology Research (Isar), instituição que emite certificação internacional para astrólogos e cuja reputação é bastante conhecida no meio astrológico.

Não podemos deixar de citar dentre estes sistemas, o Instituto Omar Cardoso, no qual prevaleciam os atendimentos astrológicos, e era administrado pelo filho de Omar Cardoso, um famoso radialista (o pai), divulgador da Astrologia em décadas anteriores.

Foto cedida pelo colega Maurício Bernis.
O colega Maurício Bernis, que foi gerente técnico do Instituto, nos concedeu depoimento, indicando que o minuto da ligação em 1999 era de R$ 4,95. As técnicas utilizadas pelos profissionais na época eram as tradicionais: mapa astral, revolução solar, trânsitos... Também nos contou que o público-alvo desses atendimentos era, em maioria, de classe média e classe média baixa, do interior do Brasil, em função da falta de acesso que havia em muitos desses locais aos serviços astrológicos. 

Embora no Instituto Omar Cardoso os serviços astrológicos eram de fato realizados por astrólogos, Mauricio Bernis, assim como indicou Maurice Jacoel de modo bastante contundente, também contou que a credibilidade desses serviços era duvidosa e que começaram a surgir críticas, inclusive da própria mídia sobre a veracidade dos atendimentos. Nessa reportagem de 1999, podemos verificar um processo contra Mãe Dinah e sua equipe do Tele Futuro com a acusação de estelionato e formação de quadrilha, movido por uma usuária que teria se sentido prejudicada e enganada. (Reportagem disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff24079921.htm).

Depois de algum tempo de conhecimento do público sobre estes serviços, alguns astrólogos e astrólogas passaram a ter linhas pessoais de atendimento, operando de sua própria residência, como forma de premiação por terem sido os que mais atendiam nas empresas de Tele 900 ou como iniciativas particulares.

Após a privatização dos serviços de telefonia iniciada em 1999, os canais Tele 900 foram extintos. Apesar do pouco tempo de existência, seu legado para a Astrologia não pode ser desprezado, já que muitos astrólogos e astrólogas fizeram daquela experiência um degrau para os próximos níveis da carreira. O treinamento intensivo do Tele 900 exigia dos profissionais de Astrologia um enorme traquejo para comunicar os conteúdos astrológicos de forma resumida e acessível.  

Dione Forti, que atuou na TV Mundi.
A despeito das críticas sobre o tipo de trabalho astrológico feito nas empresas de Tele 900, do aspecto mercadológico que por vezes pode ter prejudicado a qualidade dos serviços e, em especial, a reputação da Astrologia, terminamos este breve texto, com a expectativa de que esta intensa e breve faceta do campo de atuação da Astrologia no Brasil seja reconhecida como parte da trajetória em busca de uma melhor profissionalização de nossa área, maior inserção, divulgação e, acima de tudo, um exercício de utilização das tecnologias e das mídias disponíveis na época para fins de aproximação do pensamento e da prática astrológica com o grande público.

Clarissa De Franco¹
Psicóloga, astróloga e cientista das religiões

¹ Agradeço, por esta oportunidade de pesquisa, aos gentis colegas Guilherme Salviano, Maurice Jacoel, Maurício Bernis que me cederam depoimentos, à coordenadora deste projeto, a querida Ana Maria Gonzalez, e aos demais colegas que estão contribuindo com a pesquisa, além de todos os astrólogos e astrólogas que se dedicam a manter viva a trajetória da Astrologia.  

quarta-feira, 26 de abril de 2017

UM SALTO ALÉM DE SI MESMO

Rever a História não é raro no cinema, mas há várias maneiras de abordá-la. O que selecionar? Como contar a história? Esse é o cerne do trabalho do diretor de cinema e de sua equipe. Em ESTRELAS ALÉM DO TEMPO, o diretor Theodore Melfi fez escolhas interessantes ao juntar as histórias de três amigas que trabalham nos setores internos da NASA. O que as torna significativas nesse espaço tão técnico e masculino?

MULHERES NA NASA

O filme ESTRELAS ALÉM DO TEMPO reúne uma coleção de bons atores nos papéis de Al Harrison (Kevin Costner), Katherine (Taraji P. Henson), Mary (Janelle Monáe) e Dorothy (Octavia Spencer) que se juntam a uma excelente trilha sonora de Hans Zimmer.

O diretor elabora a narrativa de forma a não podermos tirar os olhos da tela enquanto vamos acompanhando as três mulheres contornando as dificuldades em um momento essencial de suas carreiras. 

A vida das três amigas que trabalham na NASA pela excelência de suas competências não é fácil. Suas dificuldades como mulheres e negras não são desconhecidas para nós. A maneira como elas superam esses entraves faz a graça desse filme. Então, identificamos situações de preconceito, humilhação, falta de reconhecimento, salários baixos e mais humilhação. Haja humilhação! Banheiros exclusivos para “mulheres de cor"!

Elas estiveram presentes nos projetos daquele importante momento da corrida espacial que levou o astronauta John Glenn a ser o primeiro homem a orbitar a Terra. Participaram do lançamento da cápsula Friendship 7 da missão Mercury-Atlas 6, fundamental para a chegada do homem à lua. Foi uma reviravolta no programa espacial americano.

Kevin Costner é o exigente, rigoroso e atento Al Harrison, chefe da NASA. Nunca imaginei que alguém com essa posição de hierarquia pudesse ter postura diferente, tendo em vista as metas americanas na corrida ao espaço.

Mais perto dele, encontramos Katherine que é um gênio da matemática, que se descobriu com essa habilidade quando ainda era criança. Fazer cálculos e elaborar fórmulas pode fazer muito sentido na vida de alguém. Se nunca tivemos simpatia pela matemática, a partir de sua paixão e entrega, isso se tornará possível.

Em outro setor, Mary sonha em ser uma das engenheiras da NASA, ainda que para isso tenha que passar pelo obstáculo de frequentar uma faculdade por ser negra e mulher. A terceira amiga, Dorothy, tem que se haver com uma chefe que não facilita seus caminhos. Ela exerce as funções de supervisora sem ganhar por isso, cumprindo as tarefas desse cargo.

Embora apresente alguns aspectos de cinematografia convencional, esse filme tem um roteiro inteligente, já que mescla tais histórias individuais a um contexto especial. E nos vemos envolvidos na competição com os russos na corrida espacial no momento em que essa competição é acirrada pela presença de Yuri Gagarin, em 1961. Sorrimos com a dúvida a respeito da presença de espiões entre aquelas mulheres e nos emocionamos com as palavras de John F.Kennedy. E estamos na companhia dos astronautas! Torcemos pelas conquistas das três cientistas. 

O que mais temos a falar desse filme?

UM SALTO ALÉM DE SI MESMO


O filme baseado no livro não-ficção HIDDEN FIGURES de Margot Lee Shetterly segundo as resenhas disserta “sobre o preconceito na época da corrida espacial, com o foco em três grandes mulheres negras que ajudaram a mudar o rumo das descobertas norte americanas nesse período”.

Analisando a diferença entre o título original do filme (Hidden Figures) e a tradução em português podemos apostar que o título em inglês descreve melhor as intenções da escritora Margot, mostrando figuras que trabalharam nos projetos da NASA, contribuindo silenciosas e escondidas.

Foram realmente personagens desconhecidas e alavancadas de seu canto pela escritora que conviveu com esse ambiente descrito, sendo assim passadas para a História por seus talentos e conquistas.

Dorothy foi chefe do setor da West Area Computers, uma equipe feminina e negra, responsável por cálculos matemáticos. Quando ela percebeu a chegada do primeiro computador da IBM a ser usado pela NASA e que a existência de sua equipe estava em perigo, antecipou-se. Ela estuda, então, a linguagem de programação Fortran, entra na sala do computador recém instalado e que ninguém sabia como manejar. Quando o coloca em funcionamento, mostrou para que serve a coragem e a iniciativa na vida de alguém.

Mary consegue falar com o juiz que deve decidir pela sua presença no curso de engenharia. Antecipa-se e constrói uma argumentação que ele só pode aceitar.

Por sua vez, Katherine é chamada pelo próprio astronauta para verificar os cálculos do computador. John Glenn, inseguro de subir na nave que o levaria aos céus, requer a presença da mulher “mais esperta” (the smart one!). Depois que ela ratificou os cálculos, ele seguiu seu planejamento. Todos tiveram que esperar que ela fizesse o que mais sabia.

Cada uma no departamento em que estavam locadas extrapolaram naquilo que era esperado delas. Seus desejos eram maiores que as regras estabelecidas no contexto em que viviam. Sua persistência as fez expressar o melhor de si mesmas. Cada uma a seu jeito: com argumentação adequada ou com muita paciência e resiliência, ou simplesmente expressando a natureza espontânea de sua genialidade. E por seu mérito, todas acabaram sendo reconhecidas.

Elas estavam em um contexto histórico especial: o primeiro computador IBM na NASA, a competição acirrada após a presença do russo Yuri Gagarin, a busca de serem primeiros na corrida espacial, a construção da exigência nacional de excelência. Tudo configurava um grande projeto.

E o que sustenta um grande projeto? A coragem, a determinação e a capacidade aguentar frustrações e derrotas. Tudo o que faz um líder dando um salto adiante de si mesmo.

Nesse filme cresce a dimensão da conquista dessas mulheres especiais. Nesse sentido, o título em português até parece ser mais adequado. ESTRELAS ALÉM DO TEMPO talvez enfatize o que elas fizeram para se destacar de seu contexto porque conseguiram significativos ganhos pessoais junto a grandes dificuldades.

Temos um filme convencional? Sim, até certo ponto. Uma pitada didático também. Mas vale a pena o tempo no escuro do cinema, com ou sem pipoca. Teremos um sorriso na saída do cinema, talvez acreditando que há maneiras especiais de viver. E que vale a pena insistir em nossos sonhos! 


quarta-feira, 29 de março de 2017

LION, UMA JORNADA PARA CASA

Ana Maria M. González

O filme LION, UMA JORNADA PARA CASA, nos conta a história de uma criança indiana que acaba sendo adotada por uma família australiana. Quando adulta, sai em busca de sua origem. Temos uma interessante biografia e ditames da vida que parece estarem por trás de tudo a despeito da vontade de todos. Seriam esses os mistérios além de nossa vã filosofia de que falou Shakespeare?

LION, UMA JORNADA E UM CHAMADO

Saroo, a personagem do nosso filme, na infância é interpretada por Sunny Pawar e na vida adulta pelo sempre simpático Dev Patel. A direção de Garth Davis é correta e a presença de Nicole Kidman é um dado a mais de graça e talento no conjunto harmonioso da narrativa. A produção australiana de 2016, mereceu as muitas indicações que recebeu para o prêmio da Academia.
A narrativa se alonga na primeira parte do filme em que descreve a vida da criança com seu irmão, irmã e mãe. Em seguida, ela se distrai dos cuidados devidos e se perde do irmão. Como estava em uma estação ferroviária, entra em um vagão e, sem ter feito esta opção, parte em uma peregrinação por cerca de 1600 quilômetros até chegar a Calcutá, capital de Bengala, onde se fala o bengalês, diferente da sua língua hindi. Por enquanto é esse o seu destino e porto de chegada.
O trabalho de câmera é primoroso e se coloca a favor da perspectiva da criança que observa o mundo em que se extraviou e em que tem que sobreviver, defendendo-se também da maldade de adultos. Até que ele vai parar em um orfanato e é adotado por uma família da Austrália.
Começa, então, a segunda parte da nossa narrativa. Ele cresce, a vida segue normal até que ele entra em contato com a cultura indiana. Desperta nele, então, a falta imensa de sua origem. Ganha força a urgência de resgatar essa família. Quando nos esquecemos da família de origem?
A partir dos instrumentos da tecnologia, passando por momentos de angústia pessoal e muitas dúvidas, ele se põe na tarefa difícil de resgatar seu passado.
O que esse filme nos mostra?

DE ONDE VEM O CHAMADO?

É longa a jornada da criança pelos momentos de desespero e de desconsolo. Depois de andar por cerca de 1600 km, ela não sabe o nome de sua mãe e o povoado em que mora sua família é desconhecido. Não tem o que comer. Passa por perigos percebidos por sua sensibilidade. Qual dado dessa realidade é mais difícil de experimentar? E quanto desse pedaço de vida permanece ou é diluído na memória quando  nos tornamos adultos e adaptados em outro contexto cultural? Será que essa experiência desaparece dos registros? Qual é o impacto que ainda pode ter em momentos futuros?
Quando Saroo já adulto se dispõe a fazer um curso de cunho profissional em Melbourne, encontra colegas indianos. O sabor de um doce específico e que era objeto de seu desejo na infância, o tira do conforto de sua situação de filho adotado. Quem já não experimentou a força da recordação de uma iguaria culinária? O doce da avó, o bolo da tia. Cor, textura e perfume nos carregam para um espaço-tempo especial. Essa convivência com os parceiros de mesma etnia abre para Saroo espaço para uma saudade.
Na verdade, ele não deixara de sentir falta de sua família.  Mas essa saudade se manifesta aguda, como se neste momento algo tivesse acordado. Como se uma espécie de relógio interno chamasse Saroo para seu passado. Ir ao encontro de sua origem torna-se urgente. Dentro dele surgem perguntas. Estavam adormecidas? Por quê agora? Sua identidade cultural e social emerge como se fossem raízes de uma força sem par arrebentando a superfície, pedindo ar.
Então, os recursos de tecnologia lhe servem de apoio nessa busca. A memória é fonte de informações e elas vão sendo reunidas a serviço do objetivo maior. Um grande esforço de resgate desses resquícios de passado é colocado em ação. Cada traço ou sinal de seu passado é recolhido com cuidado. O que sobrou da mãe amorosa e doce? Dos caminhos que a criança percorria para chegar a sua casa? A última visão da estação de trem e da caixa d´água em que se perdeu do irmão? O excelente trabalho de câmera, de foto e de sonoplastia estão empenhados na busca dessas lembranças da personagem, enterradas em algum lugar de seu subconsciente.
O esforço é compatível com a intensidade desse chamado intrínseco. A tarefa quase heroica, que pode ser em vão, não impede os movimentos de Saroo. Não há outra atitude possível. Desistir seria dar-se a algum tipo de morte.
A imagem de uma cena em meio à natureza com centenas de borboletas a sua volta, mais a imagem de um terreno em que ele tinha andado, mais um dado da sorte e ele acaba descobrindo o povoado de sua infância. O Google Earth nessa história acaba sendo quase personagem, o que acabou gerando até certa grita de parte de alguns críticos de cinema.
Quando acontece o encontro do que se buscava, há sensação de paz. As perguntas tiveram suas respostas. As pontas se reconectaram e um círculo se fechou. Tudo retomou sentido na vida de Saroo, que também teve oportunidade de entender sua presença na vida da família australiana. Temos um final feliz para um filme bonito.
Mas o que ocorreu, enfim? Que relógio interno foi esse que empurrou a personagem para seu passado? De onde vieram as razões misteriosas e ocultas que sustentaram a demanda de Saroo naquele momento? Ainda que saibamos como funciona o psiquismo e as forças emocionais profundas, não sabemos porque chamado ocorreu naquele tempo e não em outro.
São assim as motivações da vida que nos impulsionam a certas decisões. Assim é a vida, assim misteriosa e surpreendente. Como ele poderia imaginar que o depoimento de sua mãe adotiva viria ratificar sua presença nessa família? Tudo já estava escrito?
De todas esses fatos e emoções, sobra a sensação boa de que temos uma voz interna em algum lugar dentro de nós, que será mais ativa em algum tempo. Ela está lá e se nos chamar, não podemos hesitar. Haverá boas razões para esse chamamento. Confiemos. Isso não é pouco.

quinta-feira, 23 de março de 2017

CÍRCULO DE MULHERES


Ana Maria M. González 


A reunião do círculo de mulheres teve seu lugar mudado porque naquele dia o local estava sem luz. Ela aconteceu em uma praça ali perto.
Fomos chegando aos poucos e nos reunimos em um dos bancos da larga praça com árvores de todos os tamanhos. O tempo estava fechado o que colaborava para não aumentar a temperatura que o sol poderia trazer naquele final de verão quente.
A proposta inicial era falar de árvores. Uma de nós leu trechos de uma história em que uma das árvores de certa localidade, imensa, havia sido cortada. No toco que sobrara, em que se podiam deitar várias mulheres a descansar nasceriam depois outras tantas em forma de brotos que dançavam ao ar.   Como teria acontecido isso? Elas teriam surgido a partir da força que se guarda possivelmente nas raízes delas. Como assim? ...esse mistério. As raízes se unem embaixo da terra possivelmente conversando entre si e se harmonizando para cumprir a força umas das outras, na intenção do melhor de todas. Lindo, né mesmo?
Depois disso fizemos uma meditação em que passamos pelo espírito da floresta que estava em volta de nós e pelas raízes das árvores sob nossos pés nos alimentando e nos unindo. Daí seguiríamos em direção ao alto das copas por onde se pode ir ainda mais longe, ao mais alto.
Ao final da meditação, parecia que nossa reunião estava chegando ao fim, pois tudo estava em paz. Até que alguém sugeriu uma dança circular. Escolhemos então um lugar do terreno em que caberia a cena da dança. Aprendemos os passos e relembramos a música que dizia da flor do campo, do alecrim. Dançamos e cantamos com alegria. No entusiasmo dessa atividade, quisemos mais uma música. Então dançamos e cantamos Escravos de Jó, música de nossas infâncias, de todas as infâncias.

Em algum momento destas danças, um pai sentou com sua pequena filha no banco que tinha sido o nosso. Ambos ficaram olhando aquela cena rara, com certeza. Em algum intervalo, uma de nós convidou a pequena a entrar na roda. Dada a permissão do pai, aquela muito, muito jovem mulher se juntou a nós no canto e nos passos da dança.
Nos disse seu nome com olhos doces de seis anos de pura meninice. Quando eu me despedi dela, com abraço apertado, eu tive a sensação de que havíamos estado juntas muito tempo. Era quase uma saudade que se plantava naquele abraço demorado e forte. Todas agradecemos o gesto generoso do pai. 
Agora sim, nossa reunião acabara. Acabara? Não antes de trocarmos a sensação de que havíamos experimentado algo grande, épico. Nada menos do que isso. Nada menos para a primeira reunião de um ano novo que inicia. Promessa de alegria no coração, cheiro de alecrim pelo ar.
Senti que, de certa forma, fomos transformadas em fadas madrinhas de uma criança prestes a passar pelo ritual de sete anos. Feliz é esse pai que tem o registro de um vídeo que ela própria poderá interpretar em outro momento de sua vida.
Ao receber a menina, ratificamos nosso compromisso com o círculo sagrado do feminino. Ficará em nossa memória esse momento, no meio das árvores que guardam tesouros nos subterrâneos que para nós são muito vivos e presentes.
Talvez eu esteja fazendo uma interpretação livre e utilizando da imaginação. Pela força dessa imaginação (ou falta de memória) cada uma do grupo há de fazer o seu relato, sua narrativa particular. Mas alguns sentimentos, com certeza, não serão diferentes.
Importam menos os detalhes de realidade do que a sensação que se instaurou entre nós. Coincidência que o texto escolhido fosse falar de árvores em no dia que a reunião teve seu local mudado para uma praça?  Que o pai passasse por lá com sua filha no pequeno tempo de nossa reunião?
Naquele dia, aquele círculo de mulheres se aproximou das árvores e de uma menina e promessa de mulher que foi abençoada em paz com o espírito do masculino. Foi um momento de experiência extraordinária.

segunda-feira, 20 de março de 2017

O encontro da Astrologia com o Mestre: a vida de Waldyr Bonadei Fücher

Renata Fücher 

Waldyr Bonadei Fücher, nascido aos 24 minutos do dia 18 de Agosto de 1926 em São Paulo, sobrinho do pintor e artista Aldo Bonadei, trabalhou na Importadora e Papelaria A.Fücher de sua família, onde conheceu Vilma Andrade Fücher, que seria sua futura esposa. Formado em Administração de Empresas pela Escola Superior de Administração e de Negócios, ocupou vários cargos em empresas comerciais, industriais e de economia mista. Finalmente astrólogo foi fundador da Escola Regulus onde por muitos anos exerceu e compartilhou seus estudos. Este capítulo irá discorrer sobre sua vida e sobre seu legado deixado na Terra.

Casou-se em 14 de Setembro de 1957 com Vilma Andrade Fücher, e gerou dois filhos, Alexandre nascido em setembro de 1958 e Rodolfo em fevereiro de 1962.

Embora tenha comprado seu primeiro livro “Astrologia ao alcance de todos” de Maria Luisa Díaz Leisa (Ed. Pensamento 1949) em janeiro de 1950, seu primeiro contato com esta ciência foi em setembro de 1965, quando sua irmã o convidou para conhecer, uma pessoa muito especial chamada Wilhelm Fr. Bader, um grande conhecedor da Astrologia. Antes desse encontro, ele não acreditava na influência dos astros no ser humano, por este motivo, nunca teve interesse na Astrologia.

O astrólogo Bader interpretou seu mapa, e por obra do destino ou influência planetária como ele próprio dizia, iniciou-se na Astrologia. Pois nesta interpretação, Bader disse fatos que apenas ele sabia, por exemplo, a maneira como se comportava durante seus exames escolares. Fato interessante a relatar: Waldyr era o último da lista de sua sala, e quando era chamado pelos professores, respondia com a parte que havia decorado (mesmo não sendo referente à pergunta). E sempre recebeu boas notas, pois professores já estavam cansados de ouvir tantos alunos.

Bader também fez a previsão e lhe disse que seria professor de Astrologia e que seus alunos seriam na maioria do sexo feminino. Podemos já dizer aqui, que foi a previsão mais precisa!

Por aconselhamento, começou a frequentar a Fraternidade Rosacruciana de São Paulo, onde iniciou de fato seus estudos astrológicos. Sempre estudioso e ao ler muito sobre o assunto percebeu que era muito sério e interessante.

Em certa noite sonhou com Bader, e ao acordar contou para sua esposa que o mesmo lhe entregava uma chave. Devido a problemas de saúde, Bader estava internado, sendo assim ligou para hospital para ter notícias do amigo e ficou sabendo que o mesmo faleceu. Waldyr significou o sonho da entrega da chave, como a continuidade do legado de Bader.

Certo dia em um restaurante vegetariano viu uma propaganda do Instituto Paulista de Astrologia, onde se formou em nível avançado e onde também foi professor. Foi fundador da ABA – Associação Brasileira de Astrologia e do SAESP – Sindicato dos Astrólogos do Estado de São Paulo, nos quais exerceu diversas funções.

Em meados de 1975 decidiu se aposentar da carreira de administrador e seguir seu destino na Astrologia. Neste mesmo ano se registrou como profissional liberal, passou a atender clientes, a lecionar em aulas particulares e em grupos, tanto em seu apartamento como na casa dos alunos. As aulas em grupo já eram estruturadas, possuíam fichas de inscrição, presença, certificado e etc. Assim iniciou sua Escola de Astrologia.

A Escola precisava de um nome, e em uma reunião familiar e de amigos, surgiu a idéia de o nome ser referência à estrela. Ao pesquisar as estrelas, encontraram uma relação com a estrela Regulus: ela estava em conjunção com o Sol e Netuno do mapa de Waldyr Bonadei Fücher e em conjunção com a Lua e o MC de sua esposa Vilma.

Assim a escola foi denominada “Regulus, Cursos e Assessoria Astrológica”, cujo símbolo foi depois desenhado por um amigo.

Incentivado pela sua esposa, resolveu que a escola tivesse um local próprio.

Agora o desafio era achar um local. Em uma noite, sua esposa teve uma visão onde seria esse espaço de trabalho, mas não sabia exatamente onde. Um certo dia o casal estava voltando de uma escola, na avenida Indianópolis, onde Waldyr dava aulas de astrologia; o trajeto passava na avenida Vinte e Três de Maio, quando se depararam com uma propaganda imobiliária de venda de conjuntos para escritório. E então sua esposa diz: “Será esse o local onde você irá trabalhar”.  A partir deste momento surgiu o nascimento da Regulus como uma empresa.

No dia seguinte, foram até o local verificar e, dentre os 280 conjuntos lá existentes, escolheram o conjunto 71-E, comprado em novembro de 1980 onde permanece até hoje a Escola Regulus.

As primeiras turmas começaram no ano seguinte, 1981, e, em pouco tempo, a Regulus cresceu em fama e em espaço, sendo necessário comprar o outro conjunto do andar.  Dos seus ensinamentos surgiram grandes astrólogos e vários retornaram a Regulus como professores, hoje levando adiante seus ensinamentos.

Anos depois, em sua vida pessoal, Waldyr tem seu primeiro neto, Arthur Fücher nascido em maio de 1990 e dois anos depois sua neta, Renata Fücher nascida em novembro de 1992 filhos de Alexandre e sua nora Eliana, que atualmente mantêm vivo o legado.

Em sua vida profissional de astrólogo, além de professor foi conferencista em vários Congressos, Simpósios e Colóquios, organizados pela ABA, SARJ, SINARJ, ASAS, Escola Santista, Instituto Delphos, GAIA entre outros em diversas capitais do Brasil. Algumas de suas teses foram traduzidas para o Inglês, Francês e Espanhol.

Participou de algumas publicações de livros, tais como:“Astrologia Hoje: Métodos e Propostas” (Massao Ohno Editor) com capítulo ‘Astropedagogia’ (1985); “Interpretação de Horóscopo: técnicas e estilos” (org. Valdenir Benedetti) com capítulo ‘Técnica para a interpretação de Horóscopos’ (1993); “Astrologia: 12 Portais Mágicos” (org. Cleide Guedes) com o capítulo ‘Touro – Papa João Paulo II’ (2001); “Brasil, Corpo e Alma” (org. Renata Ramos), com capítulo ‘D. Pedro II e a Astrologia’ (2001) e; “Astrologia para Um novo Ser” (coord. Por Valdenir Benedetti), com o capitulo: ‘O Brasil, seu povo e seu futuro’ (2004).

Na década de 80, ministrou cursos de Astrologia em nível básico e médio em Goiânia, organizado pela sua aluna e Astróloga Jacy A.Genovesi. Neste período também manteve o curso “Básico de Astrologia por Correspondência” criado com a colaboração da Astróloga Sônia Maria de Lima, até 2006.

Em 2002 participou na elaboração da classificação da ocupação “Astrólogo” no CBO2002 (Classificação Brasileira de Ocupações) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Também foi homenageado em 2004 pela Astrobrasil com o Prêmio Morin de Villefranche, e em 2012 recebeu uma placa do SINARJ (Sindicato dos Astrólogos do Estado do Rio de Janeiro) onde foi homenageado com o dizer:

“Waldyr Bonadei Fücher, por sua vida e obras dedicadas à astrologia. Homenagem devida igualmente por formar profissionais e acrescentar dignidade a essa arte, mesmo em épocas em que poucos a praticavam com tamanho comprometimento. O SINARJ agradece em nome de toda a classe astrológica brasileira” – Márcia Mattos (Presidente – SINARJ)

Em 2003, Waldyr precisou fazer uma cirurgia de emergência causada por uma diverticulite, iniciando os primeiros sintomas da demência de Alzheimer. Por vontade, retornou a Escola, mas em menos de um ano precisou ser afastado.


Nos anos seguintes a demência progrediu como já esperado, recebeu todos os cuidados de sua família, principalmente de sua amada esposa. Na data de 19 de fevereiro de 2012 Waldyr faleceu com 86 anos. 

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Renata Fücher é formada em Terapia Ocupacional, atualmente trabalha com idosos. Neta do Waldyr Bonadei Fücher, seu maior exemplo. Junto ao seu irmão, faz parte da 3ª geração da Escola Regulus e também participa da pesquisa sobre História da Astrologia em SP. Site da Escola: www.regulus.com.br Também é organizadora de evento anual na Escola Regulus com dois objetivos: a disseminação do conhecimento da Astrologia e a homenagem ao fundador da escola.